sábado, 19 de fevereiro de 2011

Cesc

Daqui do outro lado do oceano
penso em ti
não como quem me manda correios,
mas como um amigo que troca idéias comigo
passeando a margem do rio Itajaí-Açu.

Daqui do outro lado do oceano
aprendo contigo
não como quem lê um livro,
mas como alguém que bebe da fonte
do que trazes na mente.

Daqui do outro lado do oceano
quando observo suas telas
me sinto com asas
e posso viajar para onde quiser
o mundo fica ao meu alcance.

Daqui do outro lado do oceano
te mando um abraço
não como quem manda um atenciosamente,
mas como quem toma uma taça de vinho
com um amigo que entre risos abraçam-se.

PAULO ROBERTO WOVST LEITE
HOMENAGENS

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

PARADOXO


Hoje tudo começou com chuva e lágrimas na cidade do clima extremo,
nem a preocupação com uma possível enchente 
e os comentários durante o dia,
no balcão, na fila, no elevador, no almoço, pela tarde a fora e no café,
levou a imagem dos olhos marejados daqueles dois homens.
A alegria deles foi embora 
e não sei por quanto tempo, 
talvez nunca mais os veja, 
aqui na cidade do clima extremo.

PAULO ROBERTO WOVST LEITE
TIRANIA DOS SENTIDOS

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Graduando

Da minha cadeira eu vejo...
Ela é seca, dramática, amargurada,
irônica, debochada, provocadora,
se esconde atrás de um ar de suposta superioridade
e lá pelas tantas sempre sai com uma tiradinha.
De vez enquando afirma que só faz por dinheiro.
Personalidade ou comportamento?


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
TIRANIA DOS SENTIDOS

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

CORVO BRILHANTE

Beltrame,

Branco e seco, tipo hospitaleiro.
Sua diplomacia sempre lhe rendeu
boas amizades e parcerias.

Tocou um sino dentro de sua cabeça
numa manhã cinzenta
e Beltrame sentiu-se ausente.

Abriu a porta e não olhou para trás,
ouvia uma voz atrás de si,
mas não podia reconhecê-la.

Ganhou a rua e ouvia risos,
enquanto dava passos,
enquanto empurrava o corpo pela calçada.

Uma garotinha parou a sua frente
e dizia coisas desconexas,
sua boca abria e fechava sem parar,

não podia entender,
não podia fazer nada,
não sabia do que se tratava,

lembrou do arco íris
que perseguiu durante anos
em sua infância atrás do pote de ouro.

Chorou!

Denise havia o balançado,
tinha um sorrido de poucos anos,
ele era apenas um garotinho,

ela tinha um irmão mais velho que teve que levar
uma pedrada na cara por ter sido tão idiota,
custou-lhe um possível amor.

Primeira vingança,
primeira decepção.
Denise teve medo!

Quando jogava, gostava de ganhar,
se perdia fazia confusão,
seus amigos não o compreendiam.

Tinha um imenso buraco em seu coração,
uma cara de pau imensa
e um bando de sem ter o que fazer.

Um gritou bem forte aos seus ouvidos:
Duvido que tu pula bunda mole!
Virou-se,  riu desesperadamente

e saltou num vôo sem direção
da ponte ruindo aos pedaços,
a ambulância demorou um pouco.

PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Pré Suposto

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

lusco-fusco

quanta coisa dita no ocaso
enquanto a lua esperava
sua entrada em cena

e o sol nem por testemunha
apenas vermelho-alaranjado
velho retirante

talvez por saber que
quando volta
no outro dia pela manhã

os poucos que sobram
apenas zumbizam
ouvindo música bem baixinho


PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Pré suposto

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Enquanto ainda é noite: Desfecho

O destino, dizes tu
me fez teu algoz
para livrar-te
e em minhas mãos
tua existência encontrar
um fim.

Triste sina a tua,
não sabeste ler os oráculos
portanto deixo-te
sem poder vingar-se da morte
presa a tua escolha passada
não podendo morrer.

Mas para o caso de estar errado,
levo de ti teu cavalo
e o arco
para perder-se comigo tua história
e nunca ter fim.

PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Ensaiando um conto...

domingo, 5 de dezembro de 2010

Mais do Mesmo

Gente pra todo lado querendo aparecer 
e botando a bunda onde não devem (pelo menos não deveriam).
1992, hoje!
Sempre caronas e chatos,
ontem falantes, hoje teclas ágeis,
bajuladores e sem noção.
Não sabem o que é degustar...

PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Transitivo direto e indireto