Da minha cadeira eu vejo...
Ela é seca, dramática, amargurada,
irônica, debochada, provocadora,
se esconde atrás de um ar de suposta superioridade
e lá pelas tantas sempre sai com uma tiradinha.
De vez enquando afirma que só faz por dinheiro.
Personalidade ou comportamento?
PAULO ROBERTO WOVST LEITE
TIRANIA DOS SENTIDOS
sábado, 12 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
CORVO BRILHANTE
Beltrame,
Branco e seco, tipo hospitaleiro.
Sua diplomacia sempre lhe rendeu
boas amizades e parcerias.
Tocou um sino dentro de sua cabeça
numa manhã cinzenta
e Beltrame sentiu-se ausente.
Abriu a porta e não olhou para trás,
ouvia uma voz atrás de si,
mas não podia reconhecê-la.
Ganhou a rua e ouvia risos,
enquanto dava passos,
enquanto empurrava o corpo pela calçada.
Uma garotinha parou a sua frente
e dizia coisas desconexas,
sua boca abria e fechava sem parar,
não podia entender,
não podia fazer nada,
não sabia do que se tratava,
lembrou do arco íris
que perseguiu durante anos
em sua infância atrás do pote de ouro.
Chorou!
Denise havia o balançado,
tinha um sorrido de poucos anos,
ele era apenas um garotinho,
ela tinha um irmão mais velho que teve que levar
uma pedrada na cara por ter sido tão idiota,
custou-lhe um possível amor.
Primeira vingança,
primeira decepção.
Denise teve medo!
Quando jogava, gostava de ganhar,
se perdia fazia confusão,
seus amigos não o compreendiam.
Tinha um imenso buraco em seu coração,
uma cara de pau imensa
e um bando de sem ter o que fazer.
Um gritou bem forte aos seus ouvidos:
Duvido que tu pula bunda mole!
Virou-se, riu desesperadamente
e saltou num vôo sem direção
da ponte ruindo aos pedaços,
a ambulância demorou um pouco.
PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Pré Suposto
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
lusco-fusco
quanta coisa dita no ocaso
enquanto a lua esperava
sua entrada em cena
e o sol nem por testemunha
apenas vermelho-alaranjado
velho retirante
talvez por saber que
quando volta
no outro dia pela manhã
os poucos que sobram
apenas zumbizam
ouvindo música bem baixinho
PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Pré suposto
enquanto a lua esperava
sua entrada em cena
e o sol nem por testemunha
apenas vermelho-alaranjado
velho retirante
talvez por saber que
quando volta
no outro dia pela manhã
os poucos que sobram
apenas zumbizam
ouvindo música bem baixinho
PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Pré suposto
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Enquanto ainda é noite: Desfecho
O destino, dizes tu
me fez teu algoz
para livrar-te
e em minhas mãos
tua existência encontrar
um fim.
Triste sina a tua,
não sabeste ler os oráculos
portanto deixo-te
sem poder vingar-se da morte
presa a tua escolha passada
não podendo morrer.
Mas para o caso de estar errado,
levo de ti teu cavalo
e o arco
para perder-se comigo tua história
e nunca ter fim.
PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Ensaiando um conto...
me fez teu algoz
para livrar-te
e em minhas mãos
tua existência encontrar
um fim.
Triste sina a tua,
não sabeste ler os oráculos
portanto deixo-te
sem poder vingar-se da morte
presa a tua escolha passada
não podendo morrer.
Mas para o caso de estar errado,
levo de ti teu cavalo
e o arco
para perder-se comigo tua história
e nunca ter fim.
PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Ensaiando um conto...
domingo, 5 de dezembro de 2010
Mais do Mesmo
Gente pra todo lado querendo aparecer
e botando a bunda onde não devem (pelo menos não deveriam).
1992, hoje!
Sempre caronas e chatos,
1992, hoje!
Sempre caronas e chatos,
ontem falantes, hoje teclas ágeis,
bajuladores e sem noção.
Não sabem o que é degustar...
PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Transitivo direto e indireto
Não sabem o que é degustar...
PAULO ROBERTO WOVST LEITE
Transitivo direto e indireto
domingo, 7 de novembro de 2010
Enquanto ainda é noite. (parte II)
Tenho uma mala de garupa,
um cavalo marchador,
uma vontade voraz de galopar,
um por do sol no horizonte
e um sentimento de culpa.
Um vagabundo não parti, nunca esteve.
Gratidão?
Me acrescentaste mais pesar!
Tenho que lhe prestar um favor
que me pedes com urgência,
queria apenas deixar essa cabana,
mas não posso pois lhe devo um tiro de arco.
Ensaiando um conto...
Paulo Roberto Wovst leite.
um cavalo marchador,
uma vontade voraz de galopar,
um por do sol no horizonte
e um sentimento de culpa.
Um vagabundo não parti, nunca esteve.
Gratidão?
Me acrescentaste mais pesar!
Tenho que lhe prestar um favor
que me pedes com urgência,
queria apenas deixar essa cabana,
mas não posso pois lhe devo um tiro de arco.
Ensaiando um conto...
Paulo Roberto Wovst leite.
domingo, 10 de outubro de 2010
RISO IDIOTA
Novamente sorrindo
um riso idiota
se movendo de lado
como um caranguejo
com a memória cheia,
mamãe me prepara um café da manhã
o móbile sobre minha cabeça
é um monte de ciclistas doidos
andando numa roda só.
Venha junto comigo
de mãos dadas ou não,
dar uma volta no carrossel
dos cavalinhos coloridos,
tudo aqui é tão cheio de vida,
estrelas anãs explodem a todo momento,
beijo de língua e tapa na cara,
cheiro de colônia barata,
uma corda pendurada na árvore.
Mamãe não é que não goste
só estou com um pouco de raiva
enquanto estes ciclistas doidos
andam sobre minha cabeça
e boto na cara esse riso idiota.
Lá pelo limite da cidade
encontro passado e presente
lado a lado sem se tocar
convivendo com um olhar
perdido para o futuro.
Damas passam com seus cavalheiros
vão para missa matinal
os sinos tocam chamando todos,
mamãe vou encher a barriga
na festa do divino espírito santo,
encher a cara de álcool
e achar alguém pra levar pra cama.
Coisa horrível o gosto de vômito,
acho que foi o carrossel
e seus cavalinhos coloridos,
não me lembro de muita coisa,
o sangue no lençol
já não me diz nada.
Difícil de acreditar, mas estou
com saudades dos ciclistas doidos,
queria dar-lhes umas porradas
assim descarregava um pouco,
enquanto eles voassem por cima
da minha cabeça
e quem sabe tirava da cara esse
riso idiota.
PAULO ROBERTO WOVST LEITE
PRÉ SUPOSTO
um riso idiota
se movendo de lado
como um caranguejo
com a memória cheia,
mamãe me prepara um café da manhã
o móbile sobre minha cabeça
é um monte de ciclistas doidos
andando numa roda só.
Venha junto comigo
de mãos dadas ou não,
dar uma volta no carrossel
dos cavalinhos coloridos,
tudo aqui é tão cheio de vida,
estrelas anãs explodem a todo momento,
beijo de língua e tapa na cara,
cheiro de colônia barata,
uma corda pendurada na árvore.
Mamãe não é que não goste
só estou com um pouco de raiva
enquanto estes ciclistas doidos
andam sobre minha cabeça
e boto na cara esse riso idiota.
Lá pelo limite da cidade
encontro passado e presente
lado a lado sem se tocar
convivendo com um olhar
perdido para o futuro.
Damas passam com seus cavalheiros
vão para missa matinal
os sinos tocam chamando todos,
mamãe vou encher a barriga
na festa do divino espírito santo,
encher a cara de álcool
e achar alguém pra levar pra cama.
Coisa horrível o gosto de vômito,
acho que foi o carrossel
e seus cavalinhos coloridos,
não me lembro de muita coisa,
o sangue no lençol
já não me diz nada.
Difícil de acreditar, mas estou
com saudades dos ciclistas doidos,
queria dar-lhes umas porradas
assim descarregava um pouco,
enquanto eles voassem por cima
da minha cabeça
e quem sabe tirava da cara esse
riso idiota.
PAULO ROBERTO WOVST LEITE
PRÉ SUPOSTO
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